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Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD- – Review

20 de Setembro, 2026
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Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD- – Review
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Antes de Pokémon Mystery Dungeon e Final Fantasy Fables: Chocobo’s Dungeon, existiu Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon. Lançado originalmente no Super Famicom em 1993 (lá chamado de Torneko’s Great Adventure), o jogo colocou o comerciante Torneko Taloon, de Dragon Quest IV, no centro de uma aventura que ajudaria a estabelecer as bases do “gênero” Mystery Dungeon.

Mais de 30 anos depois, a versão Classic HD finalmente permite que o público ocidental conheça oficialmente esse capítulo histórico. O problema é que o tempo também deixou suas marcas. A nova versão preserva quase integralmente a estrutura original, adicionando uma apresentação renovada, mas poucas modernizações.

Um roguelike em sua forma mais pura

A aventura acompanha Torneko depois dos acontecimentos de Dragon Quest IV. O comerciante volta para casa, reabre sua loja e descobre a existência de uma misteriosa masmorra repleta de tesouros. Para explorá-la, ele precisa começar praticamente do zero em cada tentativa, sempre no nível 1 e com o inventário vazio.

As dungeons são geradas proceduralmente, colocando inimigos e itens em posições diferentes a cada incursão. Existe uma primeira área de dez andares, que funciona como introdução aos sistemas, seguida pela masmorra principal de 27 andares e um conteúdo adicional pós-jogo.

A estrutura parece extremamente básica para os padrões atuais, mas essa simplicidade é justamente uma de suas virtudes. Torneko’s Mystery Dungeon concentra a experiência no essencial: explorar, administrar recursos, enfrentar inimigos e decidir até onde vale a pena avançar.

O combate funciona em turnos. Cada movimento de Torneko faz os inimigos reagirem, transformando uma simples caminhada pelo cenário em uma decisão estratégica.

As opções de Torneko são limitadas: atacar, se movimentar ou utilizar um item – a profundidade está justamente nessa última possibilidade. Ervas, anéis, cajados, pergaminhos e outros objetos possuem diferentes efeitos e podem ser utilizados tanto ofensivamente quanto para escapar de situações perigosas.

O jogador precisa aprender o comportamento dos inimigos e descobrir a melhor maneira de aproveitar cada recurso. Um item aparentemente simples pode salvar uma tentativa inteira quando usado no momento certo.

É essa combinação entre regras fáceis de entender e decisões difíceis que mantém o jogo interessante mesmo depois de dezenas de incursões.

Morrer faz parte da estratégia

A dificuldade é um dos aspectos mais marcantes e também uma das maiores fontes de frustração.

A geração procedural pode criar situações bastante desfavoráveis, especialmente para quem ainda não domina os sistemas. É totalmente possível encarar mortes frequentes até mesmo na dungeon inicial, reforçando que o peso do acaso é um problema relevante.

A maioria das derrotas acontece por excesso de confiança ou decisões equivocadas, não simplesmente por azar. Essa diferença de percepção resume bem a experiência: existe aleatoriedade, mas conhecer o jogo e saber administrar seus recursos faz uma enorme diferença.

Um dos melhores exemplos é o pergaminho de evacuação. Ele permite sair da dungeon e preservar parte do que foi conquistado, mas utilizá-lo cedo demais significa abrir mão de tesouros que poderiam melhorar ainda mais a próxima tentativa. Continuar avançando, por sua vez, aumenta o risco de perder tudo.

A loja dá sentido à progressão

O diferencial de Torneko está na relação entre a exploração e sua profissão de comerciante. Os tesouros obtidos nas dungeons são vendidos na loja administrada por Tessie, esposa do protagonista. Conforme o negócio acumula dinheiro, novas melhorias são desbloqueadas, aumentando o espaço para guardar itens e permitindo preparar melhor as próximas incursões.

Essa progressão é simples, mas eficiente. Mesmo quando Torneko morre, parte do dinheiro continua contribuindo para o crescimento do negócio. Assim, o fracasso não é completamente inútil. A evolução da pequena loja até um estabelecimento muito maior também cria uma sensação de progresso permanente em uma aventura na qual o personagem sempre volta ao nível 1.

A utilização dos monstros clássicos de Dragon Quest também ajuda bastante. Slimes, Drackies, Funghouls e outras criaturas possuem comportamentos diferentes, enquanto inimigos mais avançados podem envenenar Torneko, roubar seu dinheiro, reduzir seu nível ou até se multiplicar.

As chamadas monster dens, salas repletas de inimigos, ainda colocam risco e recompensa em confronto direto. Visualmente, os personagens ainda mantêm o charme característico da série; o trabalho com os sprites e a identidade visual de Akira Toriyama seguem insuperáveis.

O problema da modernização

É na apresentação que Classic HD decepciona. A implementação do HD-2D foi pouco convincente desta vez: os sprites receberam um filtro que pode deixá-los artificiais, enquanto os cenários tridimensionais perdem parte do charme da pixel art original.

Também há atrasos na exibição dos textos e de alguns efeitos sonoros, algo particularmente incômodo em um jogo baseado em turnos rápidos e decisões sucessivas.

A quantidade de conteúdo também é modesta. Não há sistemas encontrados em capítulos posteriores, como companheiros, ciclo de dia e noite ou habilidades mais elaboradas. São poucas dungeons e uma narrativa bastante “humilde”.

Por isso, quem chega de um Mystery Dungeon moderno pode considerar Torneko excessivamente simples. Se colocarmos lado a lado com qualquer Pokémon Mystery Dungeon, pode até parecer “apelativo” demais.

Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD- é uma cápsula do tempo que continua funcionando justamente porque sua fórmula central é sólida. A remasterização poderia ter feito mais para modernizar o clássico, mas não é necessário competir com seus sucessores para justificar sua existência. Seu maior mérito é mostrar, de maneira bastante direta, onde uma das fórmulas mais influentes dos roguelikes começou.

Para fãs de Dragon Quest e do subgênero Mystery Dungeon, é uma viagem histórica interessante e um roguelike que ainda consegue viciar. Para quem busca uma experiência moderna e repleta de sistemas, a simplicidade pode pesar.

Com informações de Portal do Nerd

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